Feliz 1º de maio, que eu quero, de antemão reiterar: é dia
do trabalhador, da trabalhadora e não do trabalho. Ao questionar o motivo da
data, perguntando se há o “dia do patrão”, creio que não há nada mais reacionário
e senso comum do que achar que toda comemoração merece uma outra à sua
antítese. É pelo mesmo motivo que não há do “dia do homem” nem o “dia do branco(a)”. São dias também para a reflexão, para luta e para a reafirmação
dessas datas. São categorias oprimidas e de restritíssimo espaço dentro da sociedade. Quem as integra e não sente isso, deve
buscar o sentido da alienação a qual está submetido(a).
E esse dia, caro amigo trabalhador, cara amiga trabalhadora,
é dia de folga, dia de descanso, é feriado! Que problema há nisso?
É comum o discurso do politicamente correto, que parte de um
segmento cheio de uma ética epidérmica, de uma discussão política rasa que quer
se promover como a grande articuladora de ideias e formadora de opinião,
ocupando esse mais novo front das batalhas cotidianas que são as redes sociais.
De posse de suas bazucas de frases-feitas, esses “soldados”
assim se comportam, apenas reproduzindo o que realmente querem os que ganham,
os que lucram com tudo, inclusive com o fato de eles estarem ali, no conforto
de suas cadeiras.
Quem trabalha de verdade, quem tem jornada a cumprir, quem
bate ponto, quem está ali diariamente para garantir a sua sobrevivência, quer,
espera e gosta - com muita justiça - de um feriado. Por que não? Os que
reclamam disso, certamente são os que perdem, que precisam de mão-de-obra na
linha de produção pronta para alimentar seu lucro. E muitos, sem refletir
sobre, acabam por fazer coro com esse discurso quando alegam todo e qualquer
tipo de atraso do país em detrimento dos feriados.
Analisemos a jornada de trabalho dos trabalhadores e
trabalhadoras brasileiros(as), a necessidade de criação de empregos, a demanda
de tempo para formação, entretenimento e descanso. Chegaremos a inevitável
necessidade da sua redução. Seria simples se a exploração não fosse condição indispensável para a obtenção de
lucro, se a inclusão fosse vista como prioridade diante da diminuição dos
ganhos.
São pontos para se refletir, para nos vermos na nossa
condição de trabalhadores e trabalhadoras e que esse lugar exige de nós
posturas diferentes, que não podem corroborar com o discurso de quem está do
outro lado. O nome disso é consciência de classe.
Na verdade, meu povo, esse texto é pra saudar a cada um, a
cada uma que faz essa roda da vida girar, seja qual for a contribuição. Nada de
perguntar pelo dia do patrão, nada de peso na consciência por estar gozando o
feriado. Curtam muito, divirtam-se, descansem. Nós merecemos.
Imagem: Descanso à melodia de Jean-François Millet


até pq BONS patrões tb são trabalhadores, né?
ResponderExcluir;)
Meu dia do trabalhador foi infelizmente como muitos queriam que fosse: de trabalho. E concordo muito com a postagem de Mônica Saraiva. Chamar de dia do trabalho é realmente uma tentativa de desvirtuar o motivo do dia que deveria ser de descanso sim. Faço só uma ressalva porque torço um pouco meu nariz para certos eventos que pipocaram no Brasil inteiro e que estão sendo anunciados pela mídia como sendo de centrais sindicais promovendo shows com apresentações artísticas que em nada a ver tem com o trabalhador. Na verdade alguns são agentes de alienação ou marionetes como qualquer um queira ver. Temo que movimentos sindicais e inclusive estudantis há muito tempo se perderam se transformando em trampolins para ascensão social via cargos políticos. Mas essa é uma minha visão que pode ser controversa a cerca do que realmente quero tratar aqui.
ResponderExcluirO dia do trabalhador é um dia para o trabalhador usar como ele bem entender. Um dia para protestar, descansar, festejar, refletir, etc. Um feriado sim. Não temos muitos feriados como querem que acreditemos. Trabalhamos muito, ganhamos pouco, temos obrigações, somos descartáveis, e toda uma sorte de coisas.
Podemos também usar esse dia para lembrar que temos nossa parcela de culpa nisso. Os serviços 24 horas, sete dias por semana, o conforto de entrega domiciliar, lojas de conveniência, sejam eles necessidades criadas por nós ou impostas por outros, estão aí sendo mantidos por nós. E o capitalismo não perde com o feriado. Alguns deixam de ganhar. Esqueceram dos restaurantes, boates, barracas de praia, empresas aéreas, agências de turismo, hotéis? Pois bem, vejam que o sistema não cessa, pois nosso bem estar (por menos luxuoso que seja) está sempre nas mãos do trabalho de outros. Quem não quer feriado é tão ganancioso quem não pensa nem nos outros “colegas” empresários que precisam tirar o seu também.
Alguns que me conhecem me chamariam de hipócrita por esse discurso, mas o que serviria de ataque, eu desmancho em defesa. De certa forma, vivencio os dois lados da moeda, o do proletário e o do chefe. Dentro desse sistema naturalmente desigual tento na segunda função agir de forma a sempre defender o lado fraco, pois como já falei, na outra metade do dia estou com papéis invertidos e sei como gosto de ser tratado. Obviamente que a empresa tem seus objetivos claros para existir e sobreviver ao sistema, e seu declínio poderia ser desastroso para muitos lares. No entanto, o lado humano, de buscar sempre um bem estar daqueles que atuam na empresa, melhorar suas condições é uma luta diária na minha prática. Lembro que nosso país é desigual inclusive com os pequenos empreendedores que se aventuram nessa estrada na tentativa de fugir da oprimida classe proletária, e esbarram em impostos desiguais, incrivelmente altos e opressivos, que acabam minando inclusive a quantidade de contratações, pois quem deve sobreviver são os absolutamente mais fortes. Nada deve sobrar. Que se danem os pequenos de toda ordem. Vocês devem conhecer um bom punhado de amigos que montaram pequenos negócios e foram brutalmente engolidos.
Parabéns pelo post, Moni Saraiva!!! Palavras sábias!!!
Ah, dia do patrão é piada né???
ResponderExcluirFico muito irritado com essa hipocrisia que critica a quantidade de feriados que temos, principalmente no Brasil. O homem é feito para viver, para ser feliz. Como disse John Lennon,
ResponderExcluirWas she told when she was young that pain
Would lead to pleasure?
Did she understand it when they said
That a man must break his back to earn
His day of leisure?
Will she still believe it when he's dead?
Vivamos!